Um Interrogatório: Com ritmo televisivo

Simon Frankel e Eduarda Arriaga (foto: Jorge Gonçalves)

Quando Eduarda Arriaga foi nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Atriz, em 2025, poucos a conheciam. Tinha brilhado em Girafas, uma das peças da trilogia do catalão Pau Miró que os Artistas Unidos então fizeram (as outras foram Leões e Búfalos, esta última no CCB, depois de expulsos da Politécnica), encenada por Nuno Gonçalo Rodrigues. É também ele que encena Um Interrogatório, um espetáculo em tudo diferente, o que não deixa dúvidas sobre a versatilidade da atriz. 

Desta vez ela é Ruth e dirige um interrogatório policial numa sala inóspita – uma mesa, cadeiras, relógio de parede, pouco mais. O interrogado, Cameron Andrews, na pele de Simon Frankel, seguríssimo, é o administrador de uma grande empresa, tem uma fundação benemérita e toma conta da mãe idosa. Está ali voluntariamente, num fim de tarde de domingo, tranquilo, sem temer uma acusação. Porém, desde o início, o público sabe mais do que ele: na conversa com o colega (Américo Silva) que abre a peça, percebemos que Ruth acredita que aquele homem – um desses bem parecidos e melhor sucedidos, que, como ela diz, “nunca são apanhados” – é culpado de um crime ou, possivelmente, dois: há uma mulher desaparecida há 68 horas e é preciso arrancar-lhe uma confissão antes que seja tarde demais. 

Numa atmosfera realista e com um ritmo televisivo, Um Interrogatório é a mais recente produção em cena no Teatro Paulo Claro, a (ainda nova) casa lisboeta dos Artistas Unidos, em Marvila. Até 23 de maio vale bem a pena ir até lá, para aplaudir a magnética Eduarda e conhecer o texto de Jamie Armitage, um autor inglês até agora desconhecido em Portugal.

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